Tuesday, September 05, 2017

A inesquecível poesia de Jorge Luiz Borges


AUSENCIA

Jorge Luiz Borges

Habré de levantar la vasta vida
que aún ahora es tu espejo:
cada mañana habré de reconstruirla.
Desde que te alejaste,
cuántos lugares se han tornado vanos
y sin sentido, iguales
a luces en el día.
Tardes que fueron nicho de tu imagen,
músicas en que siempre me aguardabas,
palabras de aquel tiempo,
yo tendré que quebrarlas con mis manos.
¿En qué hondonada esconderé mi alma
para que no vea tu ausencia
que como un sol terrible, sin ocaso,
brilla definitiva y despiadada?
Tu ausencia me rodea
como la cuerda a la garganta,
el mar al que se hunde.

AUSÊNCIA

Haverei de levantar a vasta vida
que ainda agora é teu espelho:
cada manhã haverei de reconstruí-la.
Desde que me deixaste,
quantos lugares hão se tornados vãos
e sem sentido, iguais
às luzes no dia.
Tardes que foram o nicho da tua imagem,
músicas com que sempre me aguardavas,
palavras daquele tempo,
que terei de quebrá-las com minhas mãos.
Em que caverna esconderei minha alma
para que não veja tua ausência
que, como um sol terrível, sem ocaso,
brilha definitivo e desapiedado?
Tua ausência me rodeia
como uma corda na garganta,
como um mar em que se afunda.


Ilustração: Lagash – Sapo. 

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