Tuesday, September 19, 2017

CARIMBÓ DA FLOR DESALMADA

Não sei o que é                          O que é não sei
Só sei que vou
Na onda que peguei.
Não sei se banzeiro.
Não sei se pororoca.
Só sigo o ritmo
E vou nesta pipoca!

Aí! Aí! Aí!
Flor desalmada!
Quero teu amor
Só de madrugada.

Quando acabar,
Se acabar,
Nada mais importa.
Mas, o amor,
Meu amor,
Tudo comporta.
Solta as pernas,
Fecha a porta.
E vamos lá!
E vamos lá!
Uma hora a dança acaba.
Tudo tem que se acabar!

Aí! Aí! Aí!
Flor desalmada!
Quero teu amor
Só de madrugada.

Ilustração: Radio Ascubem FM – Webnode. 

Monday, September 18, 2017

POEMINHA DOS TEUS OLHOS

Que é frágil a vida,  
Bem sei, pois, temo tudo. 
Mas, cheia de beleza,
quanto mais te estudo, 
ó minha amiga, de olhos de mar, 
de olhos que são dois céus, 
que, nas carícias são, oceanos de veludo,
mais percebo que te amar é tudo-
e tudo quero e quero tudo 
até nos teus olhos me afogar
e renascer 
como um Cristo que de amor ressurge 
e no paraíso do teu olhar se ilude
de que se possa pelo amor jamais morrer. 

Uma poesia de Roger Casalino Castro


CONTEMPLACION

Roger Casalino Castro

Hay un mar a tus pies que te acaricia,
hay un cielo de amor que te contempla,
un mar de ilusión que te murmura
volviendo acariciarte con ternura,
recorriendo tu cuerpo que ya tiembla
al sentir de sus aguas la delicia.

En las rocas que guardan tus espaldas,
como pétreos guardianes inflexibles,
se dibuja la sombra de tu estampa
que al desnudo se convierte en una trampa,
atrayendo mi conciencia corruptible;
me extasío... Y viéndote me faltas.

Contemplação

Há um mar a teus pés que te acaricia,
há um céu de amor que te contempla,
um mar de ilusão que te murmura
voltando a acariciar-te com ternura,
recorrendo ao teu corpo que já treme
ao sentir de suas águas a delicia.

Nas rochas que guardam tuas costas,
como pétreos guardiões inflexíveis,
se desenha a sombra de tua estampa
que na nudez se converte numa cilada,
atraindo minha consciência enamorada;
e me extasio...E vendo-te me faltas. 

(O certo seria "Há um a rio a teus pés que te acaricia,..."

Saturday, September 16, 2017

E, de volta, Gonzalo Rojas

 
OSCURIDAD HERMOSA

Gonzalo Rojas

Anoche te he tocado y te he sentido
sin que mi mano huyera más allá de mi mano,
sin que mi cuerpo huyera, ni mi oído:
de un modo casi humano
te he sentido.

Palpitante,
no sé si como sangre o como nube
errante,
por mi casa, en puntillas, oscuridad que sube,
oscuridad que baja, corriste, centelleante.

Corriste por mi casa de madera
sus ventanas abriste
y te sentí latir la noche entera,
hija de los abismos, silenciosa,
guerrera, tan terrible, tan hermosa
que todo cuanto existe,
para mí, sin tu llama, no existiera.

FORMOSA ESCURIDÃO

Ontem à noite te toquei e te senti
sem que minha mão fugisse além da minha mão,
sem meu corpo fugir nem meu ouvido:
de forma quase humana
te ter sentido.

Palpitante
não sei se como sangue ou como nuvem
errante
por minha casa, na ponta dos pés, escuridão que sobe,
escuridão que baixa, correstes, cintilante.

Correstes por minha casa de madeira.
suas janelas abristes
e te senti bater a noite inteira,
filha dos abismos silenciosa
guerreira, tão terrível, tão formosa
que tudo o que existe,
Para mim, sem tua chama, não existiria.


Ilustração: rebloggy.com. 

Thursday, September 14, 2017

Uma poesia de Victor-Marie Hugo

Canción II                                                           
Victor-Marie Hugo

Si nada de mí queréis,
¿Por qué os acercáis a mí?
Y si así me enloquecéis,
¿Por qué me miráis así?
Si nada de mí queréis,
¿Por qué os acercáis a mí?

Si nada intentáis decir,
¿Por qué mi mano apretáis?
Del hermoso porvenir,
De la dicha en que soñáis,
Si nada intentáis decir,
¿Por qué mi mano apretáis?

Si queréis que aquí no esté,
¿Por qué pasáis por aquí?
Sois mi afán y sois mi fe;
Tiemblo al veros ¡ay de mí!
Si queréis que aquí no esté,
¿Por qué pasáis por aquí?

CANÇÃO II

Se nada de mim quereis,
Por que se acercais a mim?
E se, assim, me enlouqueceis,
Por que me olhais assim?
Se nada de mim quereis,
Por que se acercais a mim?

Se nada tentais dizer
Por que minha mão apertais?
Do formoso futuro
Da sorte com que sonhais
Se nada tentais dizer
Por que minha mão apertais?

Se quereis que aqui não esteja
Por que passais por aqui?
Sois meu desejo e minha fé;
Tremo ao te ver. Aí de mim!
Se quereis que aqui não esteja
Por que passais por aqui?

Ilustração: Lorenzo Costa. 

Wednesday, September 13, 2017

Ainda Julio Cortazar

EL BREVE AMOR                                                                   
Julio Cortazar

Con qué tersa dulzura
me levanta del lecho en que soñaba
profundas plantaciones perfumadas,
me pasea los dedos por la piel y me dibuja
en le espacio, en vilo, hasta que el beso
se posa curvo y recurrente
para que a fuego lento empiece
la danza cadenciosa de la hoguera
tejiédose en ráfagas, en hélices,
ir y venir de un huracán de humo-
(¿Por qué, después,
lo que queda de mí
es sólo un anegarse entre las cenizas
sin un adiós, sin nada más que el gesto
de liberar las manos ?)

UM BREVE AMOR

Com que terna doçura
me levanto do leito em que sonhava
com profundas plantações perfumadas
me passeando pelos dedos pela pele e me desenha
no espaço, nos limites, até o beijo
pousar em curvas e recorrente
para que o fogo lento inicie
a dança cadenciada da fogueira
tecendo em rajadas, em hélices,
indo e vindo de um furacão de fumaça -
(Por que, depois,
o que sobra de mim
é apenas um afogamento nas cinzas
sem um adeus, sem nada além do gesto
de libertar as mãos?)

Ilustração: Toques de Carinho – blogger. 



Tuesday, September 12, 2017

UM POEMA TARDIO PARA MASSAMI


Hoje, meu amigo, a vida ficou mais triste.
Sinto a tua presença com o gosto de falta inconsolável
Que me faz chorar por ti, por mim,
Pelos vinhos que não mais beberemos.
Entrastes pelas sendas do insondável
Sem um adeus sequer, sem uma despedida
Como se fosse um amor do qual se foge sem explicação.
Deixas este vazio imenso, a lembrança de tua figura oriental,
Sábia, doce, amiga
Do futuro que, por uma trágica mágica, se desfez
E largas uma cadeira vazia na mesa da diretoria.
E, sem poder desfrutar contigo a beleza desta chuva que cai,
Bebo a água do céu
Como um gole de lágrimas
Como a dor infinda de um adeus,
Como a certeza de que, de alguma forma,
Me acompanharás até que, igual a ti,
Um dia também
Não sentirei mais
A dor maravilhosa de viver
E de sentir saudades.


Ilustração: la-marche-aux-pages.blogspot.com. 

Uma poesia de Ana Merino

Terapia del adiós                              
Ana Merino

Respira
y deja que te habite
ese cosquilleo
que cruza el umbral de tu puerta,
deja que germine
esa sensación
de deseo enhebrado
que hoy te espía
y se alimenta de tu extrañeza
y brota de la curiosidad
como si fuese
el espejismo puro
de una niñez perdida
que dibuja en silencio
la frágil silueta de tu sombra.

Deja que se enrede en tus miedos
que se refleje en ti
como un cometa helado
para que su rastro
se fabrique con tu aliento
y exista porque quieres
anudar el lenguaje sigiloso de su cuerpo
sin que apenas se inmute
el surco cotidiano de las cosas.

Deja que nazca
para que pueda recordarte
y su amor se parezca
al vértigo secreto de la vida
y aprenda a conformarse
con un sorbo de tiempo disfrazado
de muchas despedidas.

TERAPIA DO ADEUS

Respira
e deixa que te habite
que te faça cócegas
que cruze o limiar de tua porta,
deixa germinar
esse sentimento
de emaranhado
de quem hoje te espia
e se alimenta de sua estranheza
e brota da curiosidade
como se fosse
a miragem pura
de uma infância perdida
que desenha em silêncio
a silhueta frágil da sua sombra.

Deixe que se emaranhe em seus medos
que se reflita em ti
como um cometa gelada
de modo que seu traço
seja feito com tua respiração
e exista porque você quer
enrole a linguagem secreta do seu corpo
sem que se modifique
o sulco cotidiano das coisas.

Deixe que nasça
para que possa me lembrar de você
e seu amor se pareça
com a vertigem secreta da vida
e aprenda a se conformar
com um gole do tempo disfarçado
de muitas despedidas.



Monday, September 11, 2017

De volta Walt Whitman



Sometimes with One I Love

 Walt Whitman

SOMETIMES with one I love, I fill myself with rage, for fear I effuse unreturn’d love;
But now I think there is no unreturn’d love—the pay is certain, one way or another;
(I loved a certain person ardently, and my love was not return’d;
Yet out of that, I have written these songs.)

ALGUMAS VEZES EU AMO ALGUÉM

ALGUMAS vezes  eu amo alguém, e me encho de raiva, por medo de que eu ofereça amor sem retorno;
Mas, agora eu penso que não há um amor sem retorno - o pagamento é certo, de uma maneira ou de outra;
(Eu amei uma pessoa com paixão e meu amor não foi correspondido;
Ainda assim, escrevi essas canções.)


Ilustração: Viver aqui e agora... – blogger. 

Uma poesia de Robert Hayden

Full Moon                        
Robert Hayden

No longer throne of a goddess to whom we pray,
no longer the bubble house of childhood's
tumbling Mother Goose man,

The emphatic moon ascends--
the brilliant challenger of rocket experts,
the white hope of communications men.

Some I love who are dead
were watchers of the moon and knew its lore;
planted seeds, trimmed their hair,

Pierced their ears for gold hoop earrings
as it waxed or waned.
It shines tonight upon their graves.

And burned in the garden of Gethsemane,
its light made holy by the dazzling tears
with which it mingled.

And spread its radiance on the exile's path
of Him who was The Glorious One,
its light made holy by His holiness.

Already a mooted goal and tomorrow perhaps
an arms base, a livid sector,
the full moon dominates the dark.

LUA CHEIA

Não mais trono de uma deusa a quem oramos,
Não é mais a casa das bolhas da infância
O homem caçando a mãe ganso,

A lua enfática ascende -
O brilhante desafio de especialistas em foguetes,
A esperança branca dos homens de comunicação.

Alguns que eu amo estão mortos
Eram observadores da lua e conheciam sua sabedoria;
Plantavam sementes, aparavam os cabelos,

Penetrados seus ouvidos por brincos de aro de ouro
À medida que crescia ou diminuía.
Brilhavam esta noite sobre suas sepulturas.

E queimados no jardim de Getsêmani,
Sua luz tornava-se sagrada pelas lágrimas deslumbrantes
Com o qual se misturaram.

E espalhavam seu brilho no caminho do exílio
Daquele que era o glorioso,
E sua luz fez-se santa pela Sua santidade.

Já foi um objetivo motivado e amanhã, talvez,
Uma base de armas, um setor pálido,
A lua cheia domina o escuro.


Ilustração: Vix. 

Sunday, September 10, 2017

E, novamente, o grande Constantino Kavafis

UNA NOCHE                  
Constantino Kavafis

La habitación pobre y vulgar,
escondida en los altos de la taberna equívoca.
Desde la ventana la calleja,
estrecha y sucia. Y las voces abajo
de unos cuantos obreros
distrayendo su tiempo con las cartas.

Y allí, sobre aquel lecho ordinario y humilde,
el cuerpo tuve del amor, los labios
voluptuosos de la embriaguez, purpúreos
de tal embriaguez que cuando ahora,
después de tantos años, esto escribo
en mi casa vacía me embriago de nuevo.

UMA NOITE

O quarto pobre e vulgar,
escondido nos altos da taberna equívoca.
Da janela o beco,
estreito e sujo. E as vozes abaixo
de alguns trabalhadores
distraindo seu tempo com as cartas.

E ali, naquela cama ordinária e humilde,
o corpo tive do amor, os lábios
voluptuosos da embriaguez, roxos
de tal embriaguez tanto que, quando agora,
Depois de tantos anos, escrevo isto
Na minha casa vazia, me embriago de novo.




Outra poesia de María Ángeles Maeso

Hormigas                                               
María Ángeles Maeso

A menudo pisamos hormigueros.
O una chispa se nos cae de pronto ahí.

Y sabemos qué sucede dentro.
Y sabemos a quién busca cada hormiga,
antes de escapar del fuego.

Porque recuerdo que alguna vez
nos miramos aterrados,
sueño con frecuencia
que nos buscamos como ellas.

A menudo, como las hormigas
que en medio de la pira
buscan su pareja, pienso en ti.


FORMIGAS

Muitas vezes pisamos em formigueiros.
Ou uma chispa nos cai, de repente, aí.

E sabemos o que acontece dentro.
E sabemos a quem busca cada formiga,
antes de escapar do fogo.

Porque me lembro que, alguma vez,
nos olhamos com terror,
no sonho com frequência
que nós buscamos como elas.
.
Muitas vezes, como as formigas
que no meio da pira
buscam o seu parceiro, penso em você.