Thursday, July 27, 2017

Ainda a poesia de Constantin Kavafis




LAS VENTANAS

Constantin Kavafis

En estos oscuros cuartos donde paso
días pesados, voy de un lado al otro
para hallar las ventanas. – Cuando se abra
una ventana será un consuelo—.
Pero las ventanas no aparecen, o yo no puedo
hallarlas. Y quizás sea mejor que no las encuentre.
Quizás la luz sea un nuevo tormento.
Quién sabe qué cosas nuevas mostrará.


AS JANELAS

Nestes quartos escuros onde passo
dias pesados, vou de um lado ao outro
para encontrar as janelas.-Quando se abrir
uma janela será um consolo-.
Porém, as janelas não aparecem, ou não posso
encontrá-las. E, talvez, seja melhor que não as encontre.
Talvez a luz seja um novo tormento.
Quem sabe que coisas novas mostrará.



Uma poesia de Dacia Maraini

Ho sognato di volare                   
Dacia Maraini

Ho sognato di volare
tante volte in una
una volta in tante,
leggera sopra i tetti
con un sospiro di gioia nera
posandomi sui cornicioni
seduta in bilico su un comignolo
quanto quanto quanto
ho camminato sulle vie
ariose dell’orizzonte
fra nuvole salate e raggi di sole
un gabbiano dal becco aguzzo
un passero dalle piume amare
erano le sole compagnie
di una coscienza addormentata
vorrei saper volare
ancora in sogno ancora,
come una rondine,
da una tegola all’altra
e poi sputare sulle teste
dei passanti e ridere
della loro sorpresa, piove?
O sono lacrime di un Dio ammalato?
Volo ancora, ma nelle tregue del sonno
il piede non più leggero
scivola via, una mano si aggrappa
alla grondaia che scappa
vorrei volando volare
e riempire di allegrie
le spine del buio.

EU SONHEI EM VOAR

Eu sonhei em voar,
Tantas voltas numa
uma volta em tantas,
luz por cima dos telhados
com um suspiro de alegria negra
pousando sobre a cornija
sentada equilibrada em uma chaminé
quanto quanto quanto
hei andado pelas ruas
arejadas do horizonte
entre nuvens salgadas e raios solares
uma gaivota de bico afiado
um pardal de penas amorosas
foram as únicas companhias
de uma consciência adormecida
voarei por saber voar
ancorado em um sonho ancorado,
como uma andorinha,
sobre uma telha
e depois cuspirei nas cabeças
dos transeuntes e rirei
de sua surpresa, chove?
Ou são lágrimas de um Deus doente?
Voarei de novo, mas, na trégua do sono
o pé não mais ligeiro
se esvai, uma mão agarra
a calha que foge
voarei voando a voar
e preenchendo de alegria
os espinhos escuros.



Wednesday, July 26, 2017

O notável Oscar Wilde


My Voice

Oscar Wilde

Within this restless, hurried, modern world
We took our hearts' full pleasure - You and I,
And now the white sails of our ship are furled,
And spent the lading of our argosy.

Wherefore my cheeks before their time are wan,
For very weeping is my gladness fled,
Sorrow has paled my young mouth's vermilion,
And Ruin draws the curtains of my bed.

But all this crowded life has been to thee
No more than lyre, or lute, or subtle spell
Of viols, or the music of the sea
That sleeps, a mimic echo, in the shell.

MINHA VOZ

Dentro desse mundo agitado, apressado e moderno
Aproveitamos nossos corações cheios de prazer. Você e eu,
E, agora, as velas brancas do nosso navio estão furadas,
E perdemos o caminho do nosso transatlântico.

Por isso, minhas bochechas, antes de seu tempo, são pálidas,
Por chorar muito, minha alegria fugiu,
A tristeza empalideceu o vermelhão da minha jovem boca,
E destruiu os desenhos das cortinas da minha cama.

Porém, toda essa vida excessiva foi para você
Não mais do que lira ou alaúde, ou feitiço sutil
De violas, ou a música do mar
Que dorme, a um eco mímico, na concha.

Ilustração: Equilibrio em Vida.


Tuesday, July 25, 2017

De volta Aleyda Romero

La transparencia del tiempo

Aleyda Romero                                                                                          Para Víctor Manuel                             
                                               
Me descubro en tus ojos                       
Como la primera vez,                           
No me oculto.                                 
Pero vos sos predecible                       
No intento triquiñuelas,                       
Ya me conoces,                                 
Puedo descansar en vos.                       
Te encuentro,                                 
Disfruto ese romance de tu mirada             
Ese preludio                                   
Ese ritual.                                   
Esa batalla donde sucumben mis emociones.     
Renovada,                                     
Por este amor que no corroe el tiempo,         
Que vence la rutina,                           
Que busca otra vez;                           
Sumergido en la transparencia del tiempo.     
Desaparecemos.                                 
Ni vos,                                        
Ni yo,                                         
Ni antes,                                     
Ni después…                                   
Juntos.              

A transparência do tempo
                                                
Descubro-me em teus olhos
Como a primeira vez,
Não escondo.
Porém, és previsível
Não tentas me ludribiar,
Já me conheces,
Posso descansar em ti.
Te encontro,
Desfruto esse romance de teu olhar
Esse prelúdio
Esse ritual.
Essa batalha onde sucumbem minhas emoções.
Renovada,
Por este amor que não corrói o tempo,
Que supera a rotina,
Que busca outra vez;
Submerso na transparência do tempo.
Desaparecemos.
Nem vós,
Nem eu,
Nem antes,
Nem depois ...

Juntos.

Ilustração: Universidade do Porto. 

Monday, July 24, 2017

Uma outra poesia de Francisco de Quevedo


Soneto amoroso definiendo el amor

Francisco de Quevedo

Es hielo abrasador, es fuego helado,
es herida que duele y no se siente,
es un soñado bien, un mal presente,
es un breve descanso muy cansado.

Es un descuido que nos da cuidado,
un cobarde, con nombre de valiente,
un andar solitario entre la gente,
un amar solamente ser amado.

Es una libertad encarcelada,
que dura hasta el postrero paroxismo;
enfermedad que crece si es curada.

Este es el niño Amor, éste es su abismo.
¡Mirad cuál amistad tendrá con nada
el que en todo es contrario a sí mismo!

SONETO AMOROSO DEFININDO O AMOR

Este gelo abrasador é fogo congelado,
É ferida que dói e não se sente,
É um sonho bom, um mal presente,
É um breve descanso muito cansado.

É um descuido que nos dá cuidado,
um covarde, com nome de valente,
um andar solitário entre a gente,
um amar somente de ser amado.

É uma liberdade encarcerada,
que dura até o próximo paroxismo;
doença que cresce se for curada.

Este é o menino amor, este é o seu abismo.
Veja qual a amizade terá com o nada
E que no todo é contrário a si mesmo!

Ilustração: http://www.amblo.net

Friday, July 21, 2017

Outra poesia de Héctor Rosales


TEMPRANO DOLOR                                                        

Héctor Rosales

Precocidad maldita, dijera-bajo el parral
en el patio dominado por lucero- el anciano
interpretando mi tensa vigilia.

Las luces vegetales eran niños
arriba, en redondas durmiendo gravedades negras.

Precocidad maldita, tenía razón.
El otõno ya me estava doliendo.

DOR PRECOCE

Maldita precocidade, disse debaixo da videira
no pátio dominado pela luz das estrelas
interpretando minha tensa vigília.

Luzes vegetais eram crianças
no alto, em redondas gravidades negras dormindo.

Maldita precocidade, tinha razão.
O outono já me estava doendo.

Uma poesia de Yves Bonnefoy


Noli me tangere

Yves Bonnefoy

Hésite le flocon dans le ciel bleu
A nouveau, le dernier flocon de la grande neige.

Et c'est comme entrerait au jardin celle qui
Avait bien dû rêver ce qui pourrait être,
Ce regard, ce dieu simple, sans souvenir
Du tombeau, sans pensée que le bonheur,
Sans avenir
Que sa dissipation dans le bleu du monde.

«Non, ne me touche pas», lui dirait-il,
Mais même dire non serait de la lumière.

NOLI ME TANGERE

Hesita o floco diante da neve no céu azul
A neve, último floco da grande nevada.

E é como se no jardim entrasse a que
Bem  poderia ainda sonhar com o que poderia ser,
Esse olhar, esse deus simples, sem memória
Do sepulcro, sem outro pensamento que a sorte,
Sem outro futuro
Que sua dissolução no azul do mundo.

"Não me toques, não", lhe diria ele,
Porém, até o dizer não seria luminoso. 

Thursday, July 20, 2017

Uma poesia de Saúl Ibargoyen

Para una muchacha en la lluvia                    

Saúl Ibargoyen

Usted tú vos señora señoría
señorita vuesa merced doncella
sacerdotisa actriz astronauta
viuda virgen profesionista amadora
amante sirvienta sibila emperatriz
mendiga moza del partido campesina
cocinera poeta suripanta:
cada día de cada noche
he visto
cómo las lluvias
de esta desplomada ciudad
ensucian también
todo su llanto
suyo de usted
todo tu sollozar
tuyo de ti
todas vuestras
nuestras gotas
y chorros y humedades
y lágrimas.

PARA UMA JOVEM NA CHUVA

Você tu vós senhora senhorinha
senhorita vossa mercê donzela
sacerdotisa atriz astronauta
viúva virgem profissional amadora
amante empregada feiticeira  imperatriz
mendiga moça do partido camponesa
cozinheira poeta periguete :
cada dia de cada noite
te vi
como as chuvas
desta  desastrosa cidade
que suja também
todo o seu pranto
seu de você
todo o seu soluçar
teu de ti
todas vossas
nossas gotas
e jatos e umidades
e lágrimas.


Ilustração: Legalmente Menina - WordPress.com. 

Uma poesia de Héctor Rosales

TANGO                                                                                        
Héctor Rosales

Canto com voz de tez danada
en esta soga de papel, canto
a los puertos impossibles
donde vive lo que tanto
nos falta, y canto
para vos, Hermano timonel
del mismo rumbo inmundo
en que nos tocó perder.

Canto com la rebeldia diezmada

en los versos que la nada
no acabó de roer.  

TANGO

Canto com voz de pele estragada
nesta corda de papel, canto
aos portos impossíveis
onde vive o que tanto
nos falta, e canto
para vós, irmãozinho timoneiro
do mesmo rumo imundo
aos qual nos tocou perder.

Canto com a rebeldia dizimada
com os versos que o nada
não acabou de roer. 

Uma outra poesia de Alfonso Chase


Una gota de sangre

Alfonso Chase

Una gota de sangre, hoy,                           
puede contener                                     
el límite de todo el universo.                     
Una bofetada, en su rumor metálico,                 
no podría nunca domar el dulce abismo de unos ojos 
y el golpe, magistral sobre los tímpanos,           
no nos priva de oír el sonido                       
de esos caballos, recorriendo firmes el desierto   
sobre sus cascos serenos.                           
                                     
La lluvia, anhelada e imposible,                   
dilata cualquier celda,                             
creada para contenernos.                           
                                                                          
Una lágrima expulsada,                             
hacia el adentro del llanto,                       
es más poderosa que las bombas cayendo             
sobre ciudades inertes.                              
                                      
La esperanza está definida en los cuerpos           
saltando en miles de átomos vengadores,             
en ese ser en la muerte                             
que es igual a Ser para la resurrección.    


UMA GOTA DE SANGUE

Uma gota de sangue, hoje,
pode conter
o limite de todo o universo.
Uma bofetada, em seu rumor metálico,
não poderia nunca domar o doce abismo de uns olhos
e o golpe, magistral sobre os tímpanos,
não nos priva de ouvir o som
dos cavalos, galopando firmes no deserto
sobre seus cascos serenos.
                                 
A chuva, sonhada e impossível,
dilata qualquer célula,
criada para nos conter.
                               
Um lágrima expulsa,
até o interior do pranto,
é mais poderosa do que as bombas caindo
sobre as cidades inertes.
                                      
A esperança está definida nos corpos
saltando em milhares de átomos vingadores,
em morrer esta morte
que é igual a ser para a ressurreição.

Ilustração: Portal dos Ranchos.