Friday, November 28, 2008

GINSBERG



A Supermarket in California

Allen Ginsberg

What thoughts I have of you tonight, Walt Whitman, for
I walked down the sidestreets under the trees with a headache
self-conscious looking at the full moon.
In my hungry fatigue, and shopping for images, I went
into the neon fruit supermarket, dreaming of your enumerations!
What peaches and what penumbras! Whole families
shopping at night! Aisles full of husbands! Wives in the
avocados, babies in the tomatoes!--and you, Garcia Lorca, what
were you doing down by the watermelons?

I saw you, Walt Whitman, childless, lonely old grubber,
poking among the meats in the refrigerator and eyeing the grocery
boys.
I heard you asking questions of each: Who killed the
pork chops? What price bananas? Are you my Angel?
I wandered in and out of the brilliant stacks of cans
following you, and followed in my imagination by the store
detective.
We strode down the open corridors together in our
solitary fancy tasting artichokes, possessing every frozen
delicacy, and never passing the cashier.

Where are we going, Walt Whitman? The doors close in
an hour. Which way does your beard point tonight?
(I touch your book and dream of our odyssey in the
supermarket and feel absurd.)
Will we walk all night through solitary streets? The
trees add shade to shade, lights out in the houses, we'll both be
lonely.

Will we stroll dreaming of the lost America of love
past blue automobiles in driveways, home to our silent cottage?
Ah, dear father, graybeard, lonely old courage-teacher,
what America did you have when Charon quit poling his ferry and
you got out on a smoking bank and stood watching the boat
disappear on the black waters of Lethe?

Berkeley, 1955

Num supermercado da Califórnia

Que pensamentos tenho sobre ti hoje à noite, Walt Whitman, para
caminhar assim por ruas laterais sob as árvores com uma dor de cabeça
consciente de mim mesmo a olhar para a lua cheia.
Na minha fome fatigada de vendidas imagens, eu me perco
no néon do supermercado de frutas, sonhando com suas enumerações!
Que pêssegos e que penumbras! Famílias inteiras
comprando à noite! Corredores cheios de maridos! Esposas nos
abacates, bebês nos tomates! - e tu, Garcia Lorca, o que
estavas fazendo debaixo das melancias?

Eu te vi, Walt Whitman, sem filhos, solitário como uma velha enxada,
cutucando entre as carnes no frigorífico e olhando os rapazes
da mercearia
Eu ti ouvi fazendo perguntas a cada um: Quem matou as
costeletas de porco? Qual o preço das bananas? Você é meu anjo?
Eu vagabundeando dentro e fora da brilhante pilhas de latas
te segui, e fui te seguindo na minha imaginação como um detetive de loja.
Nós andamos a passos largos pelos corredores juntos em nossa
solitária fantasia provando alcachofras, possuindo cada congelado
delicado e nunca passando no caixa.

Onde estamos indo, Walt Whitman? As portas vão se fechar em
uma hora. Qual caminho tomará para a barbearia esta noite?
(Eu tocarei o seu livro e o sonho da nossa odisséia no
supermercado me fará sentir o absurdo.)
Será que andaremos por toda a noite através de ruas solitárias? As
árvores adicionam sombras as sombras, luzes apagadas nas casas, nós seremos ambos
solitários.

Será que vamos passear sonhando com a América do amor perdido
no passado de automóveis azuis nas estradas, refúgio de nossa silenciosa casinha?
Ah, querido pai, velho solitário, com a coragem de um velho professor,
o que da América tivestes quando desembarcastes e ficastes fumando no banco assistindo o barco desaparecer nas águas do negro esquecimento?

1 comment:

Anonymous said...

nossa!´é a primeira vez que laguém cita Walt Whitman... é fabuloso saber que nessa " blogosfera" existem ainda que poucas, pessoas de bom gosto literal... parabéns pelo blog...