Tuesday, January 10, 2017

Uma poesia de Eleonora Requena

ME DICE LA ESPERA                                               
Eleonora Requena

Me dice la espera
no me aguardes
no sabrás
por donde vengo
ni a cual hora
en menoscabo
de tus noches

Ayer tuve los ojos
quebrantados
inaudita madurez
contemplativa
y no ver nada

yo me duermo
con los ojos encendidos

llega

ME DISSE AO PARTIR

Me disse ao partir
não me aguardes
não sei
por onde venho
nem a qual hora,
não vá perder
suas noites de sono

Ontem tive os olhos
extenuados
inaudita maturidade
contemplativa
e não vi nada

eu adormeci
com os olhos ardendo


chega

Ilustração: Clube dos Leitores. 

Monday, January 09, 2017

UM POEMA DE ANA MARÍA NAVALES

ANTES DE ESCRIBIR EL POEMA                                     
Ana María Navales

Antes de escribir el poema,
con el lápiz en la mano
y el silencio hecho palabra,
me pregunto a quién demonios
interesa si este mar
ya no es azul ni si mi vida
de hoy es la que antes era.
Y si es lamento
o violín lo que suena
ahora en mi casa.
O a quién irán estos versos
y quién se aventurará conmigo
buscando esa luz inútil
que conduzca a una salida.
Éste es un viaje
sin más brújula que el viento
ni más compañía
que este miedo y esta noche.

ANTES DE ESCREVER O POEMA

Antes de escrever o poema,
com o lápis na mão
e o silêncio feito palavra,
me pergunto a quais demônios
interessa se este mar
já não é azul nem se a minha vida
de hoje é a que antes era.
E se é um lamento
ou um violino que soa
agora na minha casa.
Ou a quem irão estes versos
e quem se aventurará comigo
buscando esta luz inútil
que conduza a uma saída.
Esta é uma viagem
sem mais bussola que o vento
nem mais companhia
que este medo e esta noite.


Ilustração: Tudo em Foco. 

Sunday, January 08, 2017

UMA POESIA DE LAUREN MENDINUETA


POEMA DE AMOR

                                        Para Jorge Luis Borges
Lauren Mendinueta

Me pesan
El bullicio y la injusticia
La marea turbia
Y el olor de un atardecer marino
Que no he de presenciar
Las largas despedidas
Y los encuentros fugaces
Algunas palabras
Y los silencios forzados por la distancia
La noche despoblada de ti
Que avanza indiferente
Hacia el abismo del día
Las letras que componen tu nombre
Inmensa pieza del universo que todo lo encierra
La cifra que define tu número
El género que marca tu cuerpo
El tiempo indefinido de tu existencia.

POEMA DE AMOR

Me pesam
O barulho e a injustiça
A maré turva
E o odor de um entardecer marinho
Que não hei de presenciar
As longas despedidas
E os encontros fugazes
Algumas palavras
E o silêncio forçado pela distância
A noite despovoada de ti
Que avança indiferente
Até o abismo do dia
As letras que compõem teu nome
Imensa peça do universo que o todo encerra
A cifra que define o teu número
O gênero que marca o teu corpo
O tempo indefinido de tua existência.


Ilustração: Palavras ao vento. 

DO SONHO INTERROMPIDO DE UMA NOITE DE VERÃO


Tuas carícias, os teus beijos me perturbam 
o sono noturno...
Sinto o teu perfume
invadindo todos os meus sentidos.
Ainda me perpassa a sensação
de tua boca,
naquela hora louca
em que, impulsivamente,
me surpreendestes
com uma ousadia
que querer ter eu queria.

Minhas noites,
no momento, as passo em claro
pensando, unicamente, em te acariciar
desnuda,
a me olhar com o mesmo olhar
que parece de céu e mar e é mais luminoso,
mais translúcido.
Olhar que transmite a inocência infantil de uma criança,
Embora, nem me passe pela mente,
nada de inocente.

Meus pensamentos
são de minhas mãos acariciando teu corpo,
encontrando na dureza de tuas pernas
a flor encantada da paixão ,
que hei de beijar na ilusão
de que seja possível esgotar este desejo,
que sei há de ficar maior,
na medida em que a quentura
de teus seios de neve
me tornarem mais feliz
do que já fui com o teu amor inesperado.

Nos sonhos sinto a sensação
de que é real os meus lábios nos teus lábios,
as tuas mãos, novamente, buscando
o cetro do desejo fremente,
mas, oh! loucura das loucuras,
beijo, entre tuas pernas, criatura
a sede do prazer
e trago de lá, da taça do amor,
todo o prazer que há,
no instante
em que tenho o desprazer de acordar! 

Ilustração: Livros Biografias e Frases


Saturday, January 07, 2017

Duas poesias de Alda Merini


A Emily

Alda Merini 
Fiore di solitudine e di canto
amalgama di cammino, crescita
insana di cecità di versi.
Adesso che si muove la mitraglia
del mio povero cuore tu sei salva
da ogni sbandamento.

A Emily

Flor de solidão e de canto
amálgama de caminhos, crescimento
insana cegueira de versos.
Agora que se movem os pedaços
de meu pobre coração te salvas
de qualquer abandono.

Alda Merini 

Strappate la poesia dal canto,
l’albero dalle voci,
le chimere dal sogno,
strappate me da me stessa,
sì che io veda il mio cuore, palpito
sanguigno e dolce,
scendere nella valle.
I miei misteri furono quelli di Orfeo
e di altri pitagorici asceti
col loro messaggio di pace
dentro le paludi disfatte.

Arrancada a poesia do canto,
a árvore das vozes,
das quimeras do sonho,
arrancam-me de mim mesma,
para que veja meu coração, palpitante
sanguíneo e doce,
baixar ao vale.
Meus mistérios foram os de Orfeu
e de outros pitagóricos ascetas
com sua mensagem de paz
por pântanos desfeitos.

Ilustração: pinterest



Friday, January 06, 2017

Uma poesia de Nora Murillo


Pérdida de inocencia
Nora Murillo
Te molesta
el retoñar de mis ramas
las flores que me brotan
lo verde de mis hojas

Estás con miedo
porque va desapareciendo
esa triste palidez
que te gustó al conocerme

Me ves como sombra
que opaca tus deseos
esos...
los que de niño aprendiste
y ahora
no te permiten ver
que aquí
              en la cuesta
una mujer 
                    camina.

A INOCÊNCIA PERDIDA

Te incomoda
o retornar dos meus ramos
as flores que me brotam
o verde das minhas folhas

Estás com medo
porque vai desaparecendo
essa triste palidez
que tu gostastes ao me conhecer

Me vês como sombra
que ofusca teus desejos
esses...
os que de criança aprendestes
e agora
não te permitem ver
que aqui
na colina
uma mulher
caminha


Um poema de amor de Becker

AMOR ETERNO                                        
Gustavo Adolfo Becker

Podrá nublarse el sol eternamente;
Podrá secarse en un instante el mar;
Podrá romperse el eje de la tierra
Como un débil cristal.
Todo sucederá! Podrá la muerte
Cubrirme con su fúnebre crespón;
Pero jamás en mi podrá apagarse
La llama de tu amor.

AMOR ETERNO

Poderá o sol nublar-se eternamente;
Poderá secar, em um instante, o mar;
Poderá romper-se o eixo da terra
Como um débil cristal.
Tudo poderá suceder! Poderá a morte
Cubrir-me com seu fúnebre manto;
Porém, jamais, em mim, poderá apagar-se
A chama do teu amor. 

Thursday, January 05, 2017

Uma poesia de José Batres Montúfar

 Yo pienso en ti
 José Batres Montúfar

Yo pienso en ti, tú vives en mi mente,
sola, fija, sin tregua, a toda hora,
aunque tal vez el rostro indiferente
no deje reflejar sobre mi frente
la llama que en silencio me devora.

En mi lóbrega y yerta fantasía
brilla tu imagen apacible y pura,
como el rayo de la luz que el sol envía
a través de una bóveda sombría
al roto mármol de una sepultura.

Callado, inerte, en estupor profundo,
mi corazón se embarga y se enajena,
y allá en su centro vibra moribundo
cuando entre el vano estrépito del mundo
la melodía de su nombre suena.

Sin lucha, sin afán y sin lamento,
sin agitarme, en ciego frenesí,
sin proferir un sólo, un leve acento,
las largas horas de la noche cuento
y pienso en ti!

EU PENSO EM TI

Eu penso em ti, tu vives na minha mente,
só, fixa, sem trégua, a toda hora,
ainda que, talvez, o rosto indiferente
não deixe refletir sobre minha fronte
a chama que, em silêncio, me devora.

Na minha escura e rígida fantasia,
brilha tua imagem, aprazível e pura,
como um raio de luz que o sol envia
através de uma abóboda sombria
ao desgastado mármore de uma sepultura.

Calado, inerte, em estupor profundo
meu coração se embaralha e se alheia
e ali, no seu centro, vibra moribundo
quando além do vão estrepito do mundo
a melodia de seu nome o ar recheia.

Sem luta, sem desejo e sem lamento,
sem agitar-me, em cego frenesi,
sem proferir um só, um leve acento,
as longas horas da noite conto
e penso em ti!


Ilustração: nacaoitaquera.blogspot.com

POEMA DAS COISAS QUE NÃO SEI


Eu não poderia te dizer, sobre as coisas que não sei,
muito mais do que te digo:
Sou feliz contigo.
Sou feliz
contra toda lógica, circunstâncias, ocasião.
Se for loucura, prefiro não ser são.
E, se por muito tempo, não podemos estar juntos,
então, mudemos de assunto.
Falemos de amores ainda mais impossíveis.
Afinal não somos nenhum Romeu nem Julieta-
até pela idade- e o fato de que nossa nobreza  é tupiniquim,
porém, não tenho culpa de te ter conhecido mais tarde do que devia,
da vida nos ter feito esta ironia
e de te amar tanto assim.
Não creio que isto possa ser ruim.
Ainda mais quando penso
que, sem você,
não tenho mais prazer
não tenho paz,
e quando, como agora,
fico distante, dói demais!  

Wednesday, January 04, 2017

Uma poesia de Santiago Montobbio




ME EXTIENDO SOBRE UN DESIERTO DE OLVIDO
Santiago Montobbio

y soy la noche. No tengo fronteras
ni tierra alguna que me sostenga.
Soy también un mar que no termina.
Soy el alba, la luna, la daga. Soy
el silencio roto sobre el alma.
Ha llegado el tiempo de recoger su siembra
y que la espera florezca de algún modo, alumbre
un amor o una mañana, nos dé la mano con un calor
cercano y vivo, muy sentido, y en él sintamos que los días
vienen como lluvia
bendita y bendecida
desde el fondo de Dios
o de nosotros mismos. Es tiempo
de estar solos y ser libres
y de inundar quizá de un agua pura los adentros.
A veces sólo el arte logra dar con el camino.

ME ESTENDO SOBRE UM DESERTO DE ESQUECIMENTO

eu sou a noite, Não tenho fronteiras
nem terra alguma que me sustente.
Sou também um mar que não termina.
Sou o amanhecer, a lua, o punhal. Sou
o silêncio roto sobre a alma.
Há chegado o tempo de recolher sua colheita
e que a espera  floresça de algum modo, iluminando
um amor ou uma manhã, que nos dê a mão com o calor
próximo e vivo, muito sentido, e nele sintamos que os dias
vem como a chuva
bendita e abençoada
desde o interior de Deus
ou de nós mesmos. O tempo
de estarmos sós e ser livres
e de inundar, quem sabe, de uma água pura os escaninhos.
Ás vezes só a arte logra achar o caminho.


Ilustração: Leni Martins