Wednesday, January 17, 2018

E, agora, mais uma poesia de Jaime Sabines

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Te quiero porque tienes…


Jaime Sabines

Te quiero porque tienes
las partes de la mujer en el lugar preciso
y estás completa.

No te falta ni un pétalo,
ni un olor, ni una sombra.
Colocada en tu alma,

dispuesta a ser rocío en la yerba del mundo,
leche de luna en las oscuras hojas.
Quizás me ves,

tal vez, acaso un día,
en una lámpara apagada,
en un rincón del cuarto donde duermes,

soy la mancha, un punto en la pared,
alguna raya que tus ojos, sin ti,
se quedan viendo.

Quizás me reconoces
como una hora antigua
cuando a solas preguntas, te interrogas
con el cuerpo cerrado y sin respuesta.

Soy una cicatriz que ya no existe,
un beso ya lavado por el tiempo,
un amor y otro amor que ya enterraste.

Pero estás en mis manos y me tienes
y en tus manos estoy, brasa, ceniza,
para secar tus lágrimas que lloro.

¿En qué lugar, en dónde, a qué deshoras
me dirás que te amo? Esto es urgente
porque la eternidad se nos acaba.

Recoge mi cabeza. Guarda el brazo
con que amé tu cintura. No me dejes
en medio de tu sangre en esa toalla.

TE QUERO PORQUE TENS...

Te quero porque tens
as partes de uma mulher no lugar preciso
e estás completa.
                     
Não te falta nem uma pétala,
nem um perfume, nem uma sombra.
Colocada em tua alma,

disposta a ser orvalho na erva do mundo,
leite de lua nas escuras folhas.
Quem sabe não me vejas,

talvez, acaso um día,
numa lâmpada apagada,
num canto do quarto onde dormes,

seja a mancha, um ponto na parede,
alguma listra que teus olhos, sem ti,
se quedem vendo.

Talvez me reconheças
como uma hora antiga
quando a sós preguntes, te interrogues
com o corpo fechado e sem resposta.

Sou uma cicatriz que já não existe,
um beijo já levado pelo tempo,
um amor e outro amor que já enterraste.

Porém, estás em minhas mãos e me tens
e nas tuas mãos estou, brasa, cinza,
para secar tuas lágrimas que choro.

Em que lugar, onde, em que instante
me dirás que te amo? Isto é urgente
porque a eternidade nos acaba.

Recolhe minha cabeça. Guarda o braço
com que amei tua cintura. Não me deixes
em meio de teu sangue nessa toalha.               



Monday, January 15, 2018

Uma poesia de Titilope Sonuga



Bones

Titilope Sonuga

Centuries from now
when the archaeologists
shake the dust from your bones
let them marvel at this thing
called courage
let them still find traces
of brave and beautiful

When they rearrange each part of you
hold you piece by piece against the light
give them something
to marvel at let their history books say:

"Here lies a woman who knew
that fear is just a growling animal
with no teeth"

OSSOS

Séculos mais tarde
quando os arqueólogos
agitarem a poeira dos seus ossos
Deixe-os admirar essa coisa
chamada coragem
deixe-os encontrar vestígios
de sua bravura e beleza

Quando eles reorganizam cada parte sua
Segurando-a peça por peça contra a luz
dê-lhes alguma coisa
para admirar e que seus livros de história digam:

"Aqui está uma mulher que sabia
que o medo é apenas um animal rosnando
sem dentes "


Mais uma poesia de Paul Verlaine



Colloque sentimental         

Paul Verlaine

Dans le vieux parc solitaire et glacé
Deux formes ont tout à l’heure passé.

Leurs yeux sont morts et leurs lèvres sont molles,
Et l’on entend à peine leurs paroles.

Dans le vieux parc solitaire et glacé
Deux spectres ont évoqué le passé.

– Te souvient-il de notre extase ancienne?
– Pourquoi voulez-vous donc qu’il m’en souvienne?

– Ton coeur bat-il toujours à mon seul nom?
Toujours vois-tu mon âme en rêve? – Non.

Ah ! les beaux jours de bonheur indicible
Où nous joignions nos bouches! – C’est possible.

– Qu’il était bleu, le ciel, et grand, l’espoir!
– L’espoir a fui, vaincu, vers le ciel noir.

Tels ils marchaient dans les avoines folles,
Et la nuit seule entendit leurs paroles.

                   
COLÓQUIO SENTIMENTAL

Pelo velho parque frio e abandonado
duas sombras passaram, lado a lado.

Os olhos mortos já, os lábios tremendo
Que não se entende o que vão dizendo.

Pelo velho parque frio e abandonado,
os dois espectros evocaram o passado.

– Lembras-te do nosso enlevo de outrora?
– Por que queres me lembrar disso agora?

– Ainda, se ouves meu nome, te bate o coração?
No teu sonho vês a minha sombra? – Não.

– Ah! Os bons dias de êxtase indizível
em que nossas bocas unimos! – É possível.

– Como era azul o céu, e grande, o sonho!
– A esperança se foi, sumiu, no céu tristonho.

Pelas matas estremecidas seguiam
e só a noite ouviu o que diziam.

Ilustração: VAC-Verão de Arte Contemporânea. 

Sunday, January 14, 2018

Um poema de Luis Alberto Calderón

EL LOCO DE LA CIUDAD               

Luis Alberto Calderón

Recorre las noches frías y los dias inútiles
parece un espantapájaros en las veredas;
com sus manos vacias llenas de huellas
quiere atrapar las estrellas del cielo
creyendo que son mariposas blancas
en el jardín de la tierra.

Sus ojos grandes de fuego
miran por todas partes
parecen semáforos prendidos en las esquinas
y con olfato de sabueso ampedernido
busca comida en los tachos de basura
disputando el pan de las calles
sin importarle el frío y el ruido de los días.

Cansado de recorrer la ciudad
de los encantos, regresa contento
con su pedazo de luna bajo el brazo
y sobre la fría vereda de cemento, se acuesta
con sus lunas, sus cielos, sus ríos de estrellas
y su pan duro para mañana;
prisionero entre nieblas y garúas
se pone a soñar como niño
jugando en el cielo
perdido, en um mar de mariposas blancas.

O LOUCO DA CIDADE

Percorre as noites frias e os dias inuteis
parecendo um espantalho nas veredas;
com as suas mãos vazias plenas de pegadas
querendo atrapalhar as estrelas do céu
crendo que são borboletas brancas
no jardim da terra.

Seus olhos grandes de fogo
olham por todas as partes
parecem semáforos presos nas esquinas      
e com olfato de sabugueiro empedernido
busca comida nos latões de lixo
buscando o pão das ruas
sem importar-se com o frio e o ruído dos dias.

Cansado de percorrer a cidade
dos encantos, regressa contente
com seu pedaço de lua debaixo do braço
e sobre a fria vereda de cimento, se encosta
com suas luas, seus céus, seus rios de estrelas
e seu pão duro de manhã;
prisioneiro entre neblinas e garoas
se põe a sonhar como um menino
jogando no céu
perdido, num mar de borboletas brancas.

Ilustração: Mente hiperativa.




Uma poesia de Richard G Kennedy


Destiny

Richard G Kennedy

This timeless land will hold forever in its grasp
An endless procession of Man to his very last gasp

They call it progress when it all is destroyed
No thought of redemption is ever employed

A creation of wealth is all that matters
Mother earth is wounded and left in tatters

Signs are delivered but are not understood
For greed is so blinding no-one cares for our good

We march on forever and believe we are strong
But the spirits will teach us for we are so very wrong

Can the winds of change arrive in time
Or is Man's obliteration nature's last chime?

DESTINO

Esta terra intemporal irá sempre se manter a seu dispor e respiro
Uma interminável procissão do homem até seu último suspiro

Eles chamam de progresso quando tudo é destruído
Nenhum pensamento de redenção já foi empregado

A criação de riqueza é tudo o que importa
A Mãe terra é ferida e deixada quase morta

Os sinais são emitidos, mas, não são entendidos
Porque a ganância é tão cega que o nosso bem é esquecido

Nós marchamos para sempre e nos cremos muito fortes
Porém, os espíritos nos ensinarão porque estamos tão errados

Podem os ventos da mudança chegar a tempo ainda
Ou no último toque da natureza o homem finda?

Ilustração: Política & Polícia - DF – blogger.



Friday, January 12, 2018

Uma poesia de Dorothy Porter

SNAKE STORY

Dorothy Porter

Death adder,
will I ever learn
when to step on you?

In the dark
I can smell your rustling
dry mulch home

but I can’t smell you.

Are you waiting?

How do I  shed
this fusty skin of fear
and walk
with artfully reckless
bared ankles?

There’s so much honour
in the benediction
of your dream-deep venom.


HISTÓRIA DA SERPENTE

Morte adicionada,
eu já aprendi
quando pisar em você?

No escuro
Eu posso sentir o seu sussurro
de morada de folha seca

porém, não posso sentir teu cheiro.

estás me esperando?

Como faço para dispersar
essa pele abafada do medo
e caminhar
com arte imprudente
e os tornozelos descobertos?

Há tanta honra
na bênção
do seu veneno profundo.

Uma poesia de Alicia Gallegos

LA INOCENCIA                                                            
 Alicia Gallegos

Sabemos demasiado bien
que la vida pasa
que nada queda.
Es posible que alguien nos acuse
sin causa
y sin prisa.
Es posible que alguien
nos haga sentir
indefensos seres
de alas quebradas.

Aquí estoy
ante la cruz
que forman tus ojos y tu sexo.
Sabemos
que pensás algo cruel…
La pausa entre día y día
me resulta difícil
sin saber donde quedó
el espacio que habitaba
la inocencia.

A INOCÊNCIA

Nós também sabemos muito bem
que a vida acontece
que nada permanece.
É possível que alguém nos tenha acusado
sem causa
e sem pressa.
É possível que alguém
faça-nos sentir
seres indefesos
de asas quebradas.

Aqui estou
ante a cruz
que formam teus olhos e teu sexo.
Nós sabemos
que pensas algo cruel ...
A pausa entre dia e o dia
me resulta difícil
sem saber onde ficou
o espaço em que habitava
a inocência


Ilustração: Pense e Sonhe. Viva! – blogger. 

Uma poesia de Jill Jones

The Slide                            
Jill Jones

Sometimes they put you in seas
or rivers without telling you.
The river is dark, let’s say
and trees are low over you.
In the branches are owls
making noises like a machine
breathing.

After you come away from this
you have a scar and a jar
where you swim.
It is chemical, archaeological
and violent.

So you wash it all away.
It’s too early for things to be
broken or twisted
but even when you run, you fall.

All your life, if you could fly
all your life slides from under you
and you do not have to swallow
water or hear it.

You do not have to but you must
as the clouds fall without telling you.

O DESLIZE

Algumas vezes eles te põem nos mares,
ou rios, sem te dizer.
O rio está escuro, diga-se
e as árvores sobre ti são baixas.
Nos ramos as corujas são
como uma máquina
fazendo ruídos de respiração.

Depois que te afastares disto
terás uma cicatriz e um vaso
onde nadar.
É químico, arqueológico
e violento.

Então, lavarás tudo sempre.
É muito cedo para que as coisas sejam
quebradas ou torcidas
porém, mesmo assim corres, cai.

Toda a sua vida, se pudesses voar
e toda tua vida deslizar sob ti
não precisarias engolir
água ou ouvir

Tu não precisas, porém, deves,
como as nuvens, cair sem nada dizer.